A Chrysler no Brasil

A História da Chrysler no Brasil - Parte II

Em 1972

O modelo 1972 do Dart ganhou um novo friso cromado horizontal, mais largo, que enfeitava a grade pintada de preto-fosco; as lentes dos piscas passaram a ser da cor laranja; o logotipo "Dodge", que ficava no centro do capô, foi deslocado para a esquerda deste; a lateral ganhou dois filetes finos, brancos ou pretos, dependendo da cor do veículo, e as lanternas traseiras passaram a ser divididas em três seções e ter moldura em plástico. No interior o painel preto com detalhes prateados foi revestido com plástico imitando jacarandá, enquanto os instrumentos foram redesenhados: o amperímetro e o manômetro de óleo deram lugar a um conjunto de luzes-espia. Para completar, uma só alavanca passou a reunir o controle do ventilador - de duas velocidades - e o regulador de distribuição de ar.

Ainda em 1972 foi lançado o Dart SE - no dia 24 de maio - e os Gran Sedan/Gran Coupé - em 16 de outubro. O primeiro - cujo slogan publicitário era "O carro para quem não quer passar dos trinta, pois custava inicialmente Cr$ 29.868,00 - era um modelo básico transformado em esportivo - que, diga-se de passagem, vendeu muito bem, já que era uma espécie de 'popular de luxo" - e os outros dois eram versões mais luxuosas dos Dart comuns, destinados a uma clientela mais sofisticada. Neste ano 15.593 Dodge V8 - de todos os tipos - foram fabricados.

Para 1973 os Charger e Charger R/T - que era visto nos anúncios com a frase "Vamos acabar com essa brincadeira de carro esporte com menos de 200 hp"sofreram um face-lift, ficando muito diferentes dos modelos anteriores, O desenho da dianteira - envolvida por uma moldura dividida em duas partes - deixou estes carros ligeiramente semelhantes aos Charger norte-americanos, no entanto, o desempenho continuou o mesmo, pois não houve modificações mecânicas. As travas externas e as faixas pretas foram eliminadas do capô do R/T, mas surgiram os espelhos com controle remoto e falsas entradas de ar, instaladas longitudinalmente acima de cada uma das bancadas de quatro cilindros do motor V8.

Além disso, o R/T ganhou novas faixas laterais, enquanto o LS vinha com dois filetes brancos finos na parte superior das laterais, como os Dart. As lanternas traseiras foram modificadas, ficando sem divisões e, entre elas, na tampa do porta malas, aplicou-se um novo friso, opaco. Os bancos também foram redesenhados. No painel, os instrumentos receberam uma faixa vermelha delimitadora após os 2O km/h, mas os ponteiros, quase da mesma cor do fundo, praticamente desapareciam à noite. Em 1973 foram produzidos 17.939 automóveis das linhas Dart/Charger, o melhor ano destes carros no Brasil.

Em Crise

Com a crise do petróleo, entretanto, as vendas caíram de maneira considerável, bem como o valor de revenda de todos os carros - nacionais ou importados - com motor V8. Em 1974 a produção caiu para 11.318 unidades, só não despencou ainda mais porque, nos últimos meses daquele ano, ocorreu um providencial descobrimento de novas jazidas de petróleo no litoral fluminense.

Para 1975 os Dodge V8 passaram a ser equipados com o "Fuel Pacer', sistema instalado junto ao carburador que, quando a mistura ficava rica demais, acionava a lâmpada direcional do para-lama esquerdo. Assim, o motorista aliviava a pressão do acelerador - ou utilizava a marcha correta para aquela velocidade - e o carro passava a consumir menos combustível.

Nessa época, a Chrysler montou e começou a testar blocos de seis e quatro cilindros em ,V', todos derivados do 318V8, bem como o motor de seis cilindros em linha do Valiant argentino, mas nenhum foi produzido em série. A desvalorização foi tão grande que, no mercado de usados, um Dart 1969 valia em dinheiro da época apenas Cr$ 9,5 mil, contra Cr$ 13 mil do Corcel standard e Cr$ 11 mil do Volkswagen 1300 fabricados no mesmo ano, veículos que, quando novos, custam menos da metade do valor do Dodge.

No ano seguinte o estofamento foi redesenhado, mas os modelos SE, Gran Coupé e Charger saíram de linha, O R/T passou a ser equipado com bancos anatômicos, sendo os dianteiros de encosto alto, reclináveis, mas sem regulagem milimétrica. Este modelo também passou ter volante igual ao utilizado no restante da linha Dodge, deixando de lado o modelo com três raios, mais esportivo. Para completar as novidades deste ano, foi apresentado, no Salão do Automóvel, o protótipo de um Dart movido à álcool.


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