Dodge D-100

O Dodge D-100

A picape da Chrysler tinha motor de sobra, sua maior qualidade e também seu grande inimigo

Entre os carros nacionais produzidos em série, encontram-se algumas figurinhas difíceis. Uma delas é a picape Dodge D-100, fabricada pela Chrysler do Brasil. Nem tanto pelo fato de terem sido produzidas apenas 2160 unidades, ao longo de seis anos. Mas também devido à sua principal qualidade, razão de sua maldição e glória: o bom desempenho.

O paradoxo não é difícil de ser explicado. O soberano motor de 198 cavalos, o mesmo que equipava o Dodge Dart, lançado no mesmo ano de 1969, fazia da D-100 a mais potente das picapes nacionais. Até aí, palmas para ela. O problema é que a combinação da agilidade do motor com a lenta e desmultiplicada direção, somada à minimalista suspensão (com eixo rígido e feixe de molas, tanto na dianteira como na traseira), resultava naquilo que costuma ser o terror das seguradoras: um veículo rápido mas não proporcionalmente seguro.

É fácil constatar essas características numa simples volta no quarteirão. O grande volante até que é leve, mas sua comunicação com as rodas tem a mesma rapidez das ligações telefônicas interurbanas do início do século passado. Nas manobras são voltas e mais voltas, de batente a batente. Esse trabalho braçal produz um diâmetro de giro de dimensões globais. E a suspensão proporciona o conforto de uma diligência em fuga num filme de faroeste.

Assim como os outros carros da família Chrysler (Dart e Charger), a picape sofreu diretamente os efeitos da crise do petróleo. Em tempos de barris de petróleo cotados a peso de ouro, a sede do V8, que em média rondava os 2,5 km/l, perdia de golada para os frugais quatro cilindros 2.5 e 2.3 das concorrentes C-10 (Chevrolet) e F-100 (Ford), emprestados dos Opala e Maverick, respectivamente. Tampouco havia um diesel para a picape da Chrysler. Enfim, um bebedor inveterado, aquele V8. Mas que motor...

Vamos esquecer por um momento que os freios são a tambor nas quatro rodas e atender ao convite do disposto 318, com 5,2 litros. É só acelerar para entender por que ele foi tão bem-sucedido na carreira. A mesma base do 318 chegou a equipar os utilitários esportivos Cherokee 5.2 e as picapes Dakota. "Ele é o equivalente aos 302 da Ford e aos 350 da Chevrolet, em termos de longevidade, confiabilidade e rendimento", afirma Fabio Pagotto, vice-presidente do Chrysler Clube do Brasil.


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